Tudo o que você precisa saber sobre ser au pair nos EUA

Série especial mostra detalhes do famoso programa de intercâmbio Au pair

Au pair é um programa de intercâmbio no qual você vive e trabalha para uma família americana durante um ano, sendo prorrogável para até dois. Ele foi criado pelo Departamento do Estado Americano em 1986, para promover uma troca cultural entre famílias americanas e jovens do mundo inteiro.

A expressão “Au pair”, vem do francês e significa “ao par” ou “igual”, e é um termo usado para se referir a uma pessoa estrangeira, a qual mora com uma família, e em troca presta serviços domésticos ou ajuda com crianças. Além da acomodação e alimentação, o programa americano oferece ao participante, um trabalho remunerado e uma bolsa de estudo de 500 dólares, para um curso de sua escolha.

Para ser uma au Pair legalmente nos EUA, você precisa primeiro se inscrever em uma agência reconhecida pelo governo americano. Porque somente as agências aprovadas, poderão te fornecer o visto de intercâmbio cultural (J-1).  

Além disso, é também necessário ter inglês intermediário; Diploma do ensino médio ou superior; Não ter antecedentes criminais; Comprovar pelo menos 200 horas de trabalho com crianças que não sejam da sua família; Ter carta de motorista e não ser casada(o) ou não ter filhos.

De acordo com as regras do programa, o participante poderá trabalhar até 45 horas por semana (podendo ser aos finais de semana). Tendo o direito de 1 dia e meio off por semana e 2 semana de férias remuneradas.

O benefício do Inglês no Au pair

O programa Au pair é muito procurado pois, além de ser um dos intercâmbios mais baratos, ele também oferecer uma total imersão na cultura americana, e com isso ajuda os intercambistas no aprendizado da língua inglesa.

Gabriela Toste, 25 anos e ex au pair na Virgínia, disse que o motivo o qual a levou participar do programa, foi melhorar seu inglês: “Até hoje, já morando no Brasil novamente, eu falo palavras em inglês  e até fora de ordem”, conta rindo.  

“Eu acho que meu inglês melhorou muito e em diferentes níveis” diz Karoline, 24 anos, Polonesa e atual au pair na Pensilvânia.

“Eu escolhi ser au pair, porque eu queria aprender inglês. Era meu sonho morar fora”,  diz Gabriela Vivela, ex au pair da Califórnia. “Meu inglês melhorou  muito, e eu vi que eu não sabia falar. No começo foi bem complicado, eu aprendi na raça”, lembra ela.

“Eu sinto que meu vocabulário é muito maior agora. Hoje, tenho muito mais confiança para falar ou para perguntar, mas é um processo interminável, estou melhorando todos os dias”, explica Gani Dar, 22 anos, Israelense e atual au pair na Pensilvânia.

“Seu inglês  melhora muito, mesmo que você ache que não”, Conta Franciellen Galdino, atual au pair no estado da Pensilvânia. Ela foi au pair em 2014, voltou para Brasil e decidiu ser au pair novamente: “Meu propósito de voltar foi melhorar meu inglês, é por isso que eu preciso estar aqui”.

Franciellen na escadaria do Rocky, Filadélfia. Foto: Arquivo pessoal

Escolhendo a Família

A decisão de qual família ficar, é realizada pela a au pair e pela família americana, após entrevistas por Skype. Antes de ingressar no programa, é preciso estar ciente que existem famílias de vários lugares do Estados Unidos, de diversos tamanhos e diferentes estilos.

“Existem muitas famílias que são muito tranquilas, mas também há as que não. Você tem que entender que existem famílias diferentes e que a família que sua amiga estiver, não será igual a sua”. Explica Franciellen.

“O programa depende de sorte. Você pode pegar uma família muito ruim, ou uma família muito boa”. Diz Gabriela Vivela

A dica é estabelecer aquilo é importante para você, escolher a família que melhor se encaixa com seu perfil e não se precipitar na ansiedade de ir logo. Pense: Eu vou me sentir a vontade trabalhando aos finais de semana ? Será que não me sentirei presa sem poder usar o carro ? E por ai vai … É tudo questão de calma e de saber fazer a escolha certa.

“Os valores da minha família anfitriã são muito semelhantes aos meus, eu me sinto em casa. Essa foi a razão pela qual eu os escolhi”, conta Gani Dar, atual au pair na Pensilvânia.

Outra dica importante é não acreditar em tudo que a família fala na entrevista por skype, porque ao chegar ao nos Estados unidos, a realidade nem sempre é o que se esperava.

“Eu tive minha primeira experiência em 2014. Cheguei em maio e fui morar em Maryland. Eu havia conversado com a família no skype e com a ex au pair que também era brasileira e eles pareceram tranquilos. Eu na fobia de ir logo, fui. Porém,quando eu cheguei, o feeling não era o mesmo”. Conta Franciellen

“No início disseram que o carro seria compartilhado, porém isso nunca aconteceu”.Diz Gabriela Toste.

Nem tudo é um mar de rosas

Apesar das as au pairs em sua maioria viverem boas experiências com as famílias. Há também, muitos relatos de meninas que tiveram experiências ruins e traumáticas.

Gabriela Toste, ex au pair na Virgínia, contou que sofreu com sua primeira família do programa: “Eles eram do FBI e não deixavam eu receber ninguém em casa ,até minha melhor amiga eu tinha que ver na calçada e eu me sentia muita solitária”.

“Eu tinha que preencher uma agenda explicando tudo o que fiz, que horas os meninos comeram, tudo muito específico. Eles  também me privaram de fazer alguns tipos de brincadeira com as crianças, como brincar na areia. Eu me sentia presa e sufocada”, acrescenta.

Gabriela também revelou que a família começou a negar comida para ela. “Eu comia super bem e eles ficavam controlando o quanto eu comia, eu tinha que colocar o brócolis em cima da mistura para eles não verem o quanto de carne que eu peguei. Eles também sempre olhavam com cara de nojo quando eu cozinhava, isso me deixava mal”.

A dica é ser honesta e também saber analisar bem a família antes de decidir embarcar “Escolha a família com cuidado e certifique-se de sentir uma boa conexão antes de ir para casa deles“, explica Gani.

Em meio a esse impasse de boa e más experiências, Gabriela Vivela deixa uma dica “A opinião que eu dou para au pair é, vai lá e checa por você mesmo. Têm muitas meninas que têm história muitas boas, como as que não tem . Não tem como generalizar, esteja aberta e ciente que tudo pode acontecer, coisas muito boas ou ruins”.

Gabriela Vilela em Nova York – Foto Arquivo pessoal

Enquanto você espera para as próximas edições, vale a pena dá uma conferida no canal da Mi alves. Lá tem 47 vídeos, só falando sobre o programa Au pair, além de dicas incríveis de viagens.

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