Série Inglaterra: Família Santos em Londres

Já imaginou morar em Londres com toda sua família? No quarto post da Série Inglaterra, contaremos como é viver essa experiência.

A Família Santos, que mora na cidade há quase dois anos, foi quem nos contou tudo sobre a terra da rainha.

Família Santos

Composta por cinco integrantes: o pai – Edson, 47 anos; mãe – Rose, 50 anos; filha mais velha – Laura, 20 anos; filha do meio – Ana Luisa, 18 anos, e a caçula – Lorena, 14 anos.
O pai, que é militar da Marinha do Brasil, foi transferido para Londres e pode levar toda sua família.

Da esquerda para direita: Lorena, Edson, Ana Luisa, Rose e Laura.

As meninas mais novas cursam os níveis obrigatórios de inglês imposto pelo governo britânico. Já a filha mais velha, está concluindo o nível avançado no idioma.

Sobre a decisão de morar em Londres, a Família nos disse que foi tomada em conjunto, todos concordaram que era uma ótima oportunidade para todos.

Edson participou do processo seletivo para a CNBE, Comissão Naval Brasileira na Europa. Nesse processo, os voluntários são avaliados por meio de pontuação e o país de destino tem que ter alguma representatividade diplomática, ou militar, em que o Brasil faça parte.

Quando foram questionados se tinham se arrependido de ir para Londres, a Família foi categórica em dizer não:

“Não há arrependimento quando a mudança é feita com segurança e responsabilidade. Estamos sendo enriquecidos em todos os aspectos, sejam positivos ou negativos.”

Domínio da língua inglesa

Laura nos contou que ela e a Luisa já eram formadas em inglês, mas que sentiram bastante diferença do “inglês americano” para o “o inglês britânico”. Atualmente as três filhas são fluentes na língua, já os pais, sentem um pouco mais de dificuldade com o idioma:

“Meu pai trabalha só com brasileiros, o que atrapalha um pouco a prática do inglês.” – Laura Santos

Cultura

Rose e Edson em frente ao Hard Rock Cafe, Londres.

A Família Santos nos contou que há bastante diferença cultural entre Londres e Brasil:

“Mesmo Londres sendo um lugar muito diversificado, ele é extremamente tradicional. Tem hora pra tudo e pra todos.”

O que eles mais gostam na cidade é a conveniência, pois encontram tudo o que desejam de maneira rápida e sem burocracia. Disseram que tudo em Londres é planejado para servir o cidadão:

“No supermercado, por exemplo, você pode comprar revistas ou até cartões de natal, assim como comprar roupas na farmácia. Isso é muito legal!”

O que menos gostam, sem dúvida, é o trânsito:

“Os ônibus passam a todo minuto, mas andam na velocidade máxima de 40 km/h. Tem sinal de pedestre a cada 100 metros e entre eles um ponto de ônibus e a direção dos carros é na direita. As ruas são sempre mão dupla.”

A Família Santos disse que do Brasil sentem falta, apenas, de churrasco.

Clima, adaptação e preconceito

Kingston – Londres

A Família não teve dificuldade para se adaptar a Londres. A casa em que moram é bem aconchegante, e isso, na visão da Família, foi essencial para uma boa impressão.

O frio foi um desafio no início, pois eles não eram acostumados a usar luvas, casacos muito pesados e toucas, pois quando moravam no Rio de Janeiro, nunca precisaram usar essas roupas de inverno.

A Família Santos chegou a Londres no mês mais frio do ano, Janeiro. A temperatura era de 5º:

“O frio dói. O clima é bem acentuado. Dá para resumir dizendo que os dias durante o inverno duram apenas 8 horas. O sol nasce as 8 am e se põe a 4 pm. Enquanto no verão o sol se põe as 9 pm e nasce as 5 am. De outubro a abril, tem sempre um céu cinzento. Tivemos o privilégio de nevar bastante, coisa rara em Londres e o verão desse ano, também bateu máximas de 34°.”

Ao serem perguntados se já foram vítimas de preconceito, eles disseram que não, mas afirmaram que já presenciaram cenas de discriminação:

“Não fomos vítima, mas vemos esses atos de preconceito o tempo todo com os muçulmanos e negros.”

Eles acreditam que os ingleses estão saturados de estrangeiro. Além disso, consideram brasileiros muito “bagunceiros”, e isso, acaba fazendo com que os ingleses fiquem um pouco distante.

A Família fez muitas amizades na cidade, mais nenhuma delas com ingleses:

“A dificuldade maior é encontrar um inglês de verdade em Londres. Temos amigos de várias nacionalidades, Quenianos, Mulçumanos, Colombianos, Chineses, Libaneses, Alemães, Poloneses etc.”

Custo de vida

“Tudo aqui é muito caro. Apesar de ser um país da União Européia (ainda), ele é um dos únicos países que tem a moeda própria, (libra esterlina ou peso britânico) enquanto a maioria dos outros países usa o euro.”

A Família Santos nos explica que tudo é mais caro se for considerado o nível de conversão de moeda. O salário mínimo fica em torno de 7,5 a 8 libras por hora. No final de um mês de trabalho equivale a 1200 libras.

“O custo mais alto é o de moradia. Os serviços como água, luz e TV até que são baratos. Sim, TV, aqui você paga para assistir TV aberta. O salário mínimo é um dos mais baixos da Europa.”

Transporte, Segurança e Saúde

O sistema de transporte de Londres é o TfL, Transport for London, é muito eficiente, pois liga toda a cidade, há pontos de ônibus a cada cinco a dez minutos de trajeto de ônibus. Existem 11 linhas de metrô e há trens para a maior parte do Reino Unido. E ainda, é possível utilizar bondes, barcas e até bicicleta para se locomover na cidade.

A Família nos disse que há furtos e assaltos em Londres, mas existem lugares mais prováveis, na cidade, para esse tipo de crime acontecer. No geral, consideram Londres seguro:

“Aparentemente, temos essa sensação de segurança por conta das regras a seguir. A Lorena, por ter 14 anos, não pode estar na rua após as 21 horas. Também é proibida a venda de bebida alcoólica ou cigarro para menores de 18 anos. Isso vale para todos os estabelecimentos.”

Londres está no maior índice de alerta de segurança para atentados terrorista. Por isso, a Família tem medo de que algum atentado aconteça.

Na cidade há o National Health Service (NHS), que é uma espécie de SUS de Londres. Quem é residente tem acesso a esse sistema por meio do General Practioner (GP). Todo bairro deve ter um posto de atendimento, porém tratamentos dentários e oftálmicos não são de graça.

Lazer e a Comunidade Brasileira em Londres

Laura Santos – Tower Bridge, Londres

“Todas as atrações turísticas são maravilhosas. As preferidas são Tower Bridge, Monument George Albert e o BigBen.”

Os parques florestais são a maior lazer da cidade, ideais para quem quer desfrutar da companhia dos amigos e família.

Os cafés e Pubs, também são ótimas opções, mas só podem ser frequentados por crianças menores de 16 anos até as 20 horas, mesmo quando estão acompanhados pelos pais.

A Família nos contou que há muitos brasileiros em Londres e que eles se ajudam em tudo. Existem diversos serviços para brasileiros na cidade, além de blogs de dicas e divulgação de empregos:

“A comunidade brasileira é muito grande. Tem mais brasileiros em Londres do que em Fernando de Noronha (rs)! O tempo todo, em todos os lugares, encontramos algum. A maioria empregado ou estudando.”

Dicas para quem deseja morar na Inglaterra

Ao final da nossa entrevista, perguntamos à Família Santos se eles tinham alguma dica para uma família que quisesse se mudar para a Inglaterra. Eles afirmaram que é muito importante ter planejamento financeiro e que pelo menos um membro da família tenha o domínio da língua inglesa:

“A decisão de vir pra cá tem que ser consciente e requer muito recursos financeiros para conseguir legalidade no país. Hoje existe um processo de imigração muito rígido e não é fácil viver aqui na ilegalidade.Para uma família vir morar, é preciso que alguém fale inglês fluente e já venha do Brasil com um contrato de trabalho aqui em Londres.”

Para saber tudo sobre a vida da Família Santos em Londres e acompanhar as viagens que eles fazem por lá e só acompanhar o Instagram, a página Mala de Família no Facebook e o canal no Youtube.

Da esquerda para direita: Lorena, Laura e Ana Luisa em Edimburgo, Escócia.

* Clique aqui e veja o nosso último post da Série Inglaterra, contamos como foi o intercâmbio da engenheira elétrica Marianna Fundão.

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