Recepção e ingresso na universidade em Portugal por: Letícia Garcia

Letícia Garcia tem 22 anos e resolveu largar a faculdade no Brasil para viver e estudar em Portugal. Saiba como foi esse processo de mudança da garota para um novo país e como ela conseguiu continuar sua faculdade em Portugal.

A escolha de um novo país

“O fato de não ter a barreira linguística pra quem é brasileiro já é um bom começo. Mesmo que tenham palavras e expressões diferentes, não se compara com ter que aprender um idioma completamente novo. Um outro motivo bem importante é a segurança. É muito bom poder andar na rua e se sentir segura, e esse é um direito que a gente abdica totalmente morando no Brasil. “

Além disso, a curiosidade de conhecer uma nova cultura e a paixão por viajar a levaram a sair de sua rotina e de sua zona de conforto do país natal: 

“Como a grande maioria das pessoas que conheço, eu sempre sonhei com a experiência de morar em outro país, pra poder conhecer bem de perto uma cultura bem diferente da minha. Junto a isso tinha também o fato de não estar satisfeita com a minha rotina aí no Brasil. Eu estudava num curso integral em uma universidade relativamente longe de onde eu morava, e aí não tinha tempo de trabalhar. “

Recepção x Saudades

Letícia reconheceu que pela quantidade de brasileiros em seu novo país, dá até para se sentir em casa… mas nada se compara ao carisma do povo brasileiro.

“Tem muito brasileiro aqui no Porto, dá até pra se sentir em casa. E eu ainda dei sorte porque cheguei aqui na época da Copa. Então foi tudo ótimo! (…)  Eu sou acostumada com o jeitinho carioca, de sempre tratar como amigo quem acabou de conhecer, de tentar ao máximo ajudar os outros, de ser o exemplo perfeito da palavra “afeto”. Aqui é muito diferente, as pessoas são bem mais frias.”

E a estudante não deixou de lado as saudades da gastronomia brasileira, também:

“É muito difícil achar restaurantes que tenham feijão, é só bacalhau pra tudo quanto é lado. “

O processo de mudança para um novo país

Ao contrário de grande parte dos jovens,que ingressam em faculdades portuguesas por meio do ENEM, Letícia optou por entrar no país (e na faculdade) graças a sua cidadania espanhola:

“Eu troquei milhões de e-mails com a Universidade do Porto, pra saber direitinho todos os documentos que eu ia precisar pra conseguir me matricular; entrei num grupo do Facebook só de brasileiros que moram aqui, lá tem muitas dicas importantes e coisas que todo mundo que quer vir precisa saber; e vi muitos vídeos no Youtube de pessoas contando as suas experiências.” – contou a jovem quando questionada sobre como foi o início da decisão de mudar de país.

Planejou e começou a pesquisar sobre o custo de vida, faculdade, apartamento, cerca de 6 meses antes da viagem.

“Como eu tenho a cidadania espanhola*, aqui em Portugal eu tive que fazer o exame local de acesso às universidades, que é válido pra qualquer cidadão da União Europeia. Esse exame, que varia de curso pra curso, constitui uma parte da minha nota final de acesso ao ensino superior. Pra conseguir validar meu estudo, aí no Brasil eu tive que autenticar e apostilar em Haia o meu histórico escolar e universitário (o universitário só é necessário pra quem vai tentar transferência, pra quem vai começar do zero não precisa) pra conseguir fazer a equivalência das notas aqui, e essas notas do ensino médio também fazem parte do cálculo da nota final pro acesso ao ensino superior daqui.”

Você pode conferir nesse link como realizar o processo de cidadania espanhola 

Qualidade x Custo de vida

Conversamos com Letícia a respeito de valores e a comparação do custo de vida de Portugal com o do Brasil. A jovem logo afirmou que ao converter, os preços andam lado a lado. Porém, ao viver e trabalhar em Portugal, nota-se a diferença na qualidade de vida. Além disso, contou:

“Com o salário mínimo de Portugal (que tá por volta de 680 euros), você consegue dividir o aluguel de um apartamento em um local bom, pagar suas contas e ainda conseguir pagar a mensalidade da faculdade. Isso também tem uma diferença enorme: os preços da educação. Aqui, a maioria das faculdades e escolas boas são públicas, mas o que diverge com a educação brasileira é que, mesmo sendo pública, você paga uma taxa. Por exemplo, na Universidade do Porto a mensalidade é por volta de 90 euros. Com o salário mínimo do Brasil, se vive muito mal.”

Ainda nos contou sobre sua experiência com esses valores e como foi para se adaptar com estes:

“Eu cheguei em Portugal na alta temporada, então foi mais difícil de achar apartamentos pra alugar num preço baixo. Acredito que em baixa temporada, os preços caiam um pouco. Mas mesmo pagando um pouco mais caro do que imaginei que pagaria, não é nada absurdo. Eu divido apartamento com meu namorado, a irmã dele e um amigo nosso. Nosso apartamento tem 3 quartos e uma ótima localização, fica praticamente em frente ao metrô. Dividindo, cada um paga menos de 250 euros por mês.”

Pontos Negativos

Como em todo lugar, Portugal apresentou algumas problemáticas para a menina também.

Confira:

“Eu sinto como se, às vezes, as pessoas daqui estivessem de má vontade para ajudar. Eu já passei por algumas situações chatas, de perguntar alguma coisa e receber uma resposta grosseira. E também parece que eles querem complicar as coisas pra quem é brasileiro; eu fui na loja do cidadão tentar resolver umas documentações e ficaram me empurrando de um lado pro outro, cada setor falava que eu tinha que ir em outro setor e fiquei nessa por uns dias. Foi só eu falar que tinha cidadania espanhola que tudo se resolveu rapidinho.”

 

Ao fazer um levantamento na internet, encontramos: economia pouco diversificada, o alto uso de cigarros, o clima frio e até mesmo o “português” de lá como algumas desvantagens para quem estiver pensando em trocar “o churrasco pelo bacalhau“.

Antes de tomar a decisão definitiva de morar em outro país, apesar de buscar uma qualidade de vida e empregos que aparentam em outros países, é primordial a pesquisa de pontos negativos e problemas que podem surgir no caminho na hora da imigração.

Pesquise, ouça depoimentos e se puder, passe até algumas semanas no local para saber se você realmente quer viver naquele país.

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