Como é a vida de uma au pair nos EUA

Entenda mais sobre a experiência de morar no local de trabalho e as dificuldades de ser au pair

De acordo com o questionário realizado, uma das partes mais complicadas do programa Au pair é ter que morar no mesmo lugar em que você trabalha.

“Uma coisa que era muito complicada era morar com chefe”, diz Gabriela Vilela, ex au pair na California. “Por mais que eles eram bem tranquilos, eu não me sentia totalmente em casa.  Às vezes eu queria dormir na sala assistindo tv, e não dava.”

Ela também contou que se sentia sempre trabalhando e que muitas vezes, ficava no quarto só para não ver todo mundo.

“Você é totalmente a mercê da família e a situação de você morar com eles, faz você se sentir morando de favor.” Diz  Gabriela Toste, ex au pair na Virgínia.

“Às vezes é um desafio ficar em casa depois de terminar o trabalho ou nos fins de semana. Depois de 10 horas de trabalho, só quero um pouco de tranquilidade, mas meu quarto fica bem ao lado do quarto das crianças. Dormir até tarde é impossível, porque as crianças acordam cedo.”  Conta Gani Dar, israelense e atual au pair na Pensilvânia.

Franciellen, atual au pair na Pensilvânia conclui dizendo “As famílias do Brasil não são perfeitas, então você precisa estar aberta e saber que as famílias americanas não são diferentes”.

Franciellen em Times Square- NY

Desafios e Dificuldades

“Se não for para enfrentar desafios nem seja au pair.” Diz Franciellen.

Apesar das oportunidades e benefícios que o programa oferece, a vida de au pair não é uma tarefa fácil. Além da responsabilidade de cuidar das crianças e das tarefas de casa, elas precisam lidar com a saudade, vida social e pessoal, barreiras linguísticas, entre outros.

“Você tem que estar totalmente de mente aberta para desafios, desde a língua até como aprender a lidar com uma nova cultura”, conta Franciellen.

“Eu não posso ser espontânea como normalmente sou, e viajar mais de um fim de semana. E a pior parte é também o dinheiro. Eu esperava viajar mais, mas é difícil com a quantia que recebemos.” Diz Gani Dar

“A parte difícil é o emocional ,você saber lidar com tudo sozinha.” Diz Gabriela Toste.

Gabriela Toste em Falls Church Virginia na época em que era au pair. Foto foi tirada durante Playdate por um amigo.

Já Karolina, Polonesa e atual au pair na Pensilvânia, acredita que as au pairs têm dois maiores desafios, a saudade da família e o fato de ter que pagar as “Taxes” no final do programa (Imposto que as au pairs devem pagar para o governo) “A gente não sabe disso antes de vir para cá” Ela conta.

“A pior parte é não ter um pão fresquinho com manteiga de manhã”, Franciellen brinca: “A comida é uma parte difícil sim, mas na verdade o que mais dói é ficar longe da  família”.

Desistência do programa

De acordo com a pesquisa que realizamos 63,6 % das au pairs, já pensaram em desistir do programa.

“Pensar em desistir, é relativo. Têm dias que você acorda e quer jogar tudo para o ar, mas aí você pensa nos seus objetivos e continua,mas pensar em desistir, a gente sempre pensa… Às vezes a gente fica nessa, poxa eu deveria estar trabalhando na minha área, mas não, estou aqui”, conta Franciellen.

“No meu ano de au pair, entrou o lado emocional, porque como a primeira criança que cuidei ficou doente, os pais colocavam muita pressão em mim. Depois perdi um amigo e uma tia e sofri muito. Eu já não estava me sentindo muito bem… Eu pensava, será que vale a pena eu ficar aqui, e passar por isso?”  Conta Gabriela Toste

“Eu desenvolvi um pouco da síndrome do pânico, a todo tempo me sentia vigiada e isso demorou para passar. Eu só ia pro meu quarto e dormia, fiquei exausta psicologicamente”. Ela acrescenta.

Gabriela também relatou, que tentou empurrar o programa “com a barriga” para não se sentir uma fracassada, mas depois de repensar muito, resolveu desistir do programa “Meu tio faleceu , e eu não me despedi dele, e aí foi a gota d’água. Voltei para o  Brasil para terminar minha faculdade e viver por mim”.

Franciellen conclui dizendo: “Eu falo que aqui é um mundo paralelo, não é nossa realidade, a gente tem um carro que não é nosso, uma casa que não é nossa e uma  família que não é nossa . Se a gente for para pensar, quando voltarmos para nosso país, acabou… Foi apenas um momento da sua vida e nada disso é realmente seu. Nada aqui é nosso…”  

Fico curioso?  Então Fique ligado porque na próxima semana tem mais.

Enquanto você espera a próxima publicação, dá um pulo na matéria com a blogueira Mi alves, ela foi au pair e hoje já visitou mais de 20 países. Vale a pena se inspirar !!

E caso ainda não tenha visto, confira a primeira reportagem da série, falando sobre o Inglês e escolha da família.

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