Andressa Sem Fronteiras: um ano em Bristol

Andressa Bade tem 26 anos, é formada em Engenharia Elétrica e atualmente faz mestrado em Energias Renováveis. Em entrevista ao nosso site, contou-nos sobre como foi passar um ano em Bristol, no Reino Unido.

Arquivo Pessoal de Andressa Bade

Largar sua casa, seu país natal, por um ano pode ser uma experiência desafiadora. Mas para Andressa, que tinha o sonho de estudar no Reino Unido, foi incrível e ainda deixou um gostinho de “quero mais”. Confira:

Escolha do país

“Desde pequena sempre tive o sonho de ter a experiência de morar em outro país por, pelo menos, alguns anos. Graças ao Harry Potter, comecei a ter fascinação pela Inglaterra e, por isso, sonhava em morar lá.”

Arquivo pessoal de Andressa Bade

Ciências Sem Fronteiras

Andressa nos contou que realizou o seu intercâmbio por meio do Ciências sem Fronteiras. Disse como foi o processo:

“Decidi participar do Ciência Sem Fronteiras, principalmente, para realizar meu sonho de morar em outro país. Não tinha condições de pagar por um intercâmbio, então essa foi a minha melhor opção.”

“Houveram alguns processos seletivos distintos: primeiro da minha universidade, a UFRJ, depois no CNPq e, dentro do processo do CNPq, também houve o processo para a escolha da universidade (tivemos que fazer uma lista com as 3 unis que mais queríamos. Algumas pessoas foram escolhidas por outras unis que não as que colocaram nas listas). Tive que fazer um teste específico de proficiência em inglês, escrever uma carta de motivação e reunir mais alguns documentos da minha universidade (e traduzir alguns deles). É um processo um pouco burocrático, mas com um pouco de organização e paciência, dá tudo certo e vale muito a pena. “

“Eu não me recordo muito sobre o prazo para saber se havia passado ou não, mas lembro que fiquei muito ansiosa, principalmente porque tinha me apaixonado por Bristol e estava com medo de não ser escolhida pela Universidade de Bristol.”

Depois, completou dizendo que só podia se candidatar dentro do Reino Unido, e no processo seletivo, colocavam 3 opções das universidades desse país que mais gostavam, em ordem.

Vantagens da bolsa de estudos

“A bolsa pagou o meu bilhete de avião de ida e volta, uma bolsa para comprar coisas que poderiam nos ajudar nos estudos (como laptop, tablet), bolsa para as compras básicas para montarmos o apartamento (itens de cozinha, cobertores, travesseiros e tal), e uma bolsa mensal para nossos gastos mensais com alimentação, transporte, etc.”

“Sim, a bolsa era mais do que suficiente para mim. Eu cozinhava em casa quase todos os dias e fazia tudo a pé para economizar. Dessa forma, eu usava, aproximadamente, metade da bolsa que me era oferecida.”

Ainda revelou que, conforme economizava com o valor recebido, conseguiu viajar bastante durante seus estudos – conhecendo 16 países!

University of Bristol

“Eu morei em um alojamento da universidade. Tinha meu próprio quarto e dividia o flat com 4 brasileiros e um chinês. O nosso visto de estudante (Tier 4) nos permitia trabalhar durante 20 horas por semana.”

Ficamos curiosos: o conteúdo estudado lá complementava a faculdade aqui (contava como períodos normais) ou teve que continuar de onde parou (antes de viajar) quando retornou ao Brasil?

“Eu tive que continuar, basicamente, de onde parei. Só consegui aproveitar duas matérias.” – revelou Andressa.

Experiência de chegar em Bristol

“Nunca tinha ido à Inglaterra. Foi maravilhoso. Adorei a segurança que a cidade (Bristol) me passou, como as pessoas em todas as lojas e restaurantes são simpáticas e sorridentes, e o fato de poder ir andando para todos os lugares, foi uma liberdade que nunca pensei que teria!!!”

“Quanto a algumas dificuldades: tive dificuldade para entender o sotaque inglês. Como aprendi inglês com o sotaque americano, no começo, não entendia muito bem o que as pessoas falavam e fiquei um pouco frustrada, me sentindo bem burra, (risos).”

“Lembro que fiquei muito feliz quando, depois de umas 2 semanas morando lá, conheci um americano e entendia tudo que ele falava. Queria abraçá-lo e nunca mais soltá-lo!”

“Outra dificuldade foi para fazer amizade com ingleses. Apesar deles serem extremamente simpáticos e educados, é MUITO difícil realmente fazer amizade com eles. Isso é um pouco frustrante, pq dá a impressão de que eu poderia vivenciar muito mais a cultura deles se eu fosse mais próxima dos ingleses, sabe?”

Novo idioma

“Eu não era fluente, acho que era nível avançado. Eu fiz o teste TOEFL  e tirei 99 de 120, mais do que suficiente para não precisar ter aulas de inglês antes de começar as aulas na universidade (algumas pessoas que não atingiam a nota mínima foram antes para o país de intercâmbio para ter aulas intensivas de inglês).”

“A dica para quem vai fazer teste de proficiência: estude a prova. Faça várias provas antigas (é só caçar na internet), e preste muita atenção ao tempo, treine muito mesmo em quanto tempo você faz as seções do teste (eu não consegui terminar a seção do Reading, deixei de responder umas 4 perguntas).”

Nova Rotina – Conhecendo a cidade

“Eu ia para as aulas de manhã, estudava na biblioteca da universidade à tarde e tomava cerveja na minha cozinha com meus amigos (ou saía com meu namorado).”

“Eu amei a liberdade que ela me deu, a energia que ela tem. É uma cidade bem jovem e despojada, com muitas coisas para fazer todos os dias.”

“Honestamente, eu amei tanto morar em Bristol que não tem nada que eu não tenha gostado nela, (risos)”

“Eu não acho que Bristol seja uma cidade muito turística… Sua maior vantagem é a qualidade de vida que proporciona aos moradores.”

“Eu gostava do prédio da universidade chamado Wills Memorial Building e da ponte Clifton Suspension Bridge.”


Wills Memorial Building

O mestrado

“Eu estou começando meu mestrado em Energias Renováveis em Barcelona. De alguns anos pra cá, comecei a me interessar em energias renováveis e quis me especializar nisso. Como vivo um relacionamento a distância, que começou quando estudei em Bristol, fazer essa especialização na Europa me faria ficar mais perto do meu namorado, então, de certa forma, a experiência de ter morado fora me influenciou de alguma forma.”

Entrevista realizada por: Helloydes Teixeira

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