Vida de Au pair: Saiba sobre a questão do choque cultural e o preconceito

Quem um dia deseja morar fora, deve estar preparado para enfrentar o tão temido choque cultural. Não é preciso ir muito longe de casa, para sentir uma estranheza quanto à rotina diária de outros. Muitas vezes, só ao visitar um outro estado, já é possível perceber formas diferentes de viver. Quem dirá mudando de país.

Choque cultural, de acordo com o dicionário, É um estado de ansiedade e confusão pelo qual passa, alguém que é exposto a um meio cultural desconhecido ou muito diferente do seu próprio. Ou seja, são os sentimentos que uma pessoa passa a ter, quando exposta à um ambiente fora do seu habitual.


Essa questão, não tem só haver com códigos de condutas diferentes, mas também está totalmente ligada ao uso de uma nova linguagem. Porque conhecer um idioma, muitas vezes, não te garante ser capaz de se expressar 100% como gostaria ou manter uma conversação eficiente. O que leva muitos a se frustarem, e até desistirem de aprender o idioma.

Dentre os sintomas que alguém pode sentir ao passar pelo choque cultural, são: Baixa auto-estima; irritação, solidão, desconforto, saudade excessiva de casa, interpretação errônea do que os outros dizem ou fazem, insônia, medo e desconfiança.

No intercâmbio de Au pair, essa situação não é diferente. E o choque cultural está entre os desafios que as intercambistas precisam estar preparadas para enfrentar.

“Tive muito choque cultural, porque eles não abraçavam, não beijavam e para mim, isso era uma coisa muito estranha. No meu aniversário, ninguém me abraçou. Os americanos são um pouco frios, mas depois você se acostuma”. Conta Gabriela Vilela, 23 anos, ex au pair na Califórnia.

“Não senti muito choque cultural, porque meu país é parecido com os EUA, mas eu consigo sentir algumas diferenças”. Afirma Karolina, polonesa e atual au pair.

“Brasileiros podem até falar que somos americanizados, mas o estilo de vida aqui é totalmente diferente do Brasil”, afirma Franciellen.

“Acho que o maior choque é quando a gente chega aqui e vê uma realidade diferente. Todo mundo tem carros chiques, casas gigantes e um poder de compra grande, a gente leva um choque, mas foi algo positivo para mim”. Ela acrescenta.

“Eu não posso dizer que tive um choque cultural, mas havia algumas coisas que eu estava me esforçando para me acostumar. Realmente depende da sua personalidade, de onde você está vindo e de quão aberto você é. A única vez que fiquei realmente chocada, foi quando percebi que os homens pagam tudo para as garotas aqui”. Conta Gani, israelense e atual Au air, sorrindo.

Gabriela Toste, ex au pair na Virgínia também falou que não sentiu muito o choque cultural, mas que algumas coisas eram estranhas para ela. Como a rotina do banho, o fato de não poder beber fora de casa, ou na rua, e a questão das baladas acabarem às 2 da manhã. “Eu sou daquelas que fico até o sol raiar”, comenta.

Apesar dos relatos positivosdas meninas, há casos de muitas au pairs que sofrem com o choque cultural, chegando ao ponto de desistir do programa. Outras continuam, mas acabam desenvolvendo crises emocionais, forte estresse e desconforto.

Porém, vale a pena lembrar, que o choque cultural varia de acordo com a origem da pessoa e tudo depende do quão diferente o país de origem e o estilo de vida dela é dos Estados Unidos. Para alguns, o choque pode ser maior, ou menor.

A dica é estar aberto para se adaptar e a aprender com o novo. E é claro ter pessoas que te apoiam por perto. Ter amizades e o contato com pessoas do próprio país de origem é uma das coisas que ajudam bastante.

Preconceito

Infelizmente o preconceito ainda é uma questão a ser vencida em toda parte do mundo, e o intercambista deve também estar preparado para lidar com esse tipo de situação.

As famílias que eu tive, nunca foram preconceituosas do tipo, ‘ai ela é latina e bláblá’, mas já conheci famílias que fazem isso. Porém, isso não acontece só aqui nos Eua né? No Brasil mesmo, há pessoas muito preconceituosas“, conta Francielle.

“Eu sofri racismo sim, eu não sei se era o local onde eu morava, porque era um local muito rico e de pessoas bem claras, mas eles eram racistas”, diz Gabriela Vilela.

“Teve uma vez que eu estava no mercado e eu não tinha entendido o que o caixa falou, e fiquei perguntando várias vezes, aí o cara atrás de mim disse: ‘Vai logo sua latina suja’. Eu chorei, foi uma situação muito chata”, lembra ela.


Gabriela também falou que sentia muito a questão do preconceito na própria casa em que trabalhava. Eles não falavam na minha frente, mas as próprias crianças faziam comentários absurdos de racismo contra latinos e negros“.

Também existem muitos relatos de au pairs, que enfrentam preconceitos por causa da dificuldade de falar o inglês. Pois nem todos, têm paciência com a dificuldade que os estrangeiros muitas vezes enfrentam para se comunicar.

Algumas au pairs também contam, que alguns americanos se consideram superiores por residirem em um país de primeiro mundo, e por isso acabam tratando ou falando de forma ofensiva com estrangeiros.

Mas ainda que os intercambistas não estejam imunes às situações constrangedoras e difíceis. A dica é seguir com seus objetivos e crescer em meio às dificuldades. Lembrando que também existem grandes chances de encontrar pessoas incríveis.

O importante é não generalizar todo o país por conta de alguns. E lembrar que há pessoas boas e ruins em todo parte de mundo.  

Fique ligado que na próxima semana tem mais!!

Quer saber o que rolou nos blocos anteriores? Acesse os links:

Primeira matéria (Inglês e a escolha da família)
Segunda matéria (Desafios e dificuldades)

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