Depoimentos

Moradia na França: entrevista com João Vitor

Gabrielly Damasceno Araujo
Escrito por Gabrielly Damasceno Araujo em 7 de novembro de 2020

O universitário João Vitor Santana, 21, ficou mais de 6 meses no país do amor e nos contou tudo sobre como foi sua estadia e o custo de vida na região. Para conferir todos os detalhes de sua viagem a França, basta acompanhar o depoimento exclusivo até o final!

João Vitor, França
Paris, França

Custo de vida na França

“Acho que depende muito da cidade. Paris, por exemplo, é tudo o olho da cara, é muito caro real. A cidade que eu escolhi foi Lyon e eu achei o custo de vida bem ok, não considero extremamente barato mas considero uma média boa. Você não vai fazer uma compra e encher o seu carrinho de coisa – até porque do euro para o real é uma diferença muito grande -, mas você também não irá passar sufoco.”

“O lugar onde eu fiquei tinha cozinha, então eu preferia fazer minha comida em casa do que comer na rua. Eu fazia comida pra semana toda e colocava tudo no congelador. Geralmente, eu fazia compra 1 vez por semana.”

“Sobre o transporte, também varia de cidade pra cidade. Como eu era estudante, eu tinha um vali transporte que pagava apenas 35 euros e podia usar em todos os lugares e quantas vezes quisesse durante um mês. Também tem um vali para bicicleta que custa muito barato e que vale apena pegar.”

“Conta de luz, água, internet, gás, já era tudo incluso no meu apartamento, então eu não me preocupava muito com isso. Em relação ao lazer, há muita opção de lugar gratuito em todo o país, e os museus que são pagos, uma vez no mês eles ficam totalmente gratuitos. Quando você é estudante, você na maioria das vezes não precisa pagar nada. Quando eu ia a Paris, entrava no museu do Louvre de graça e mal pegava fila, já que fui em baixa temporada.”

“Para se locomover para outras cidades vizinhas, é muito fácil e extremamente barato. Se eu quisesse ir de Lyon para Paris, que é 5 horas de ônibus, eu pagava apenas 99 cents.”

“Queijo, vinho, croissant, faz muita parte da cultura deles e custa extremamente barato. Um bom vinho eu pagava geralmente 2 euros, e croissant faz muita parte do dia a dia, e custa muito barato, além de ser delicioso.”

Como consegui ficar 6 meses na França

“Eu fui a estudo, depois de ter feito todo o processo de ser aceito por uma universidade francesa – que inclusive foi pela UFRJ, não foi por conta própria -, então depois de ter feito todo o processo dentro da UFRJ de entregar os documentos necessários (passaporte, CR, RG, proficiência de língua*…), eu tive que mandar novamente todos os documentos para minha Universidade de Lyon e alguns outros (coisas mais específica da faculdade, como por exemplo, a carta de motivação). “

*Para entrar em alguma instituição da França, você precisa ter a proficiência da língua que é o famoso DELF, e precisa ter no mínimo o B1.

“Quando já estava tudo ok, eu tive que entrar com o processo de visto, e tive que pagar uma taxa que varia muito, eu paguei mais ou menos 500 e poucos reais na época. Depois de pagar essa taxa, você agenda para ir no Consulado com o seu boleto pago e com outros documentos que são necessários – levei cerca de 9 contratos que é pra preencher com todas as informações, e você consegue pegar no site Campus France.”

“Além dos 9 contratos, tem que levar a carta de aceite da faculdade, e uma comprovação do tempo que você irá ficar lá. Também precisa ter a passagem já comprada, se não eles não liberam o visto. Algumas campainhas aéreas reservam a sua passagem, então não é obrigatório você de fato comprar, mas possui um custo só para reservar.”

“Outra coisa que você precisa comprovar, é um lugar para ficar nos 3 primeiros meses. Você consegue arranjar pelo Booking algum hotel, com cancelamento gratuito, para colocar na ficha e depois do visto cancelar. Depois que eu consegui meu visto, eu consegui cancelar de boas.”

“Mesmo sendo maior de idade, eu precisava de um responsável legal (caso você não tenha, é necessário comprovar várias outras coisas) para ficar me enviando dinheiro todo mês. Você tem que provar renda de mais ou menos 650 euros por mês para conseguir o visto. Pode ser qualquer pessoa para responsável legal, e também será preciso levar todos os documentos da pessoa para demonstrar que ela é capaz de te enviar essa quantia a cada mês.”

“A partir do momento que você consegue o visto, fica tudo certo para você entrar em território europeu. Na hora da imigração, quando eles veem que você está com visto de estudante, eles nem ligam muito, é bem tranquilo.”

“Como eu tinha cancelado a minha hospedagem do hotel lá no Booking, eu ainda precisa ver esse negócio da moradia. No meu caso, não tive problemas porque eu fui pela UFRJ, e a própria Universidade tem um sistema de ajuda ao aluno. Eu conheço gente que fez por fora, mas achei tudo muito complicado.”

Cultura

“Eles são muito educados, mais ao mesmo tempo eles são mal educados (risos). Eles tem um grau de rigidez muito forte, então tem que tratar todo mundo com bastante educação. Eles tem um hábito muito grande de fumar, e fumam em todo lugar, até na sua cara. Com certeza essa foi a parte que eu mais odiei.”

Eles são extremamente burocráticos. Se você for morar na França, você tem que tá preparado para se estressar, porque tem que ter muita paciência para lidar com toda a burocracia francesa. Para tudo que você for fazer, tem burocracia. Eu lembro que quando eu fui abrir minha conta de celular, eu tive que marcar um horário, e isso é pra qualquer lugar. Até pra ir nos correios você precisa agendar, e lá não tem muito esse sistema de call center igual no Brasil, que você liga e resolve. Você tem que mandar uma carta para a cede da empresa para resolver, que é super lento.

“É muito recorrente os furtos na região, principalmente em transporte público. Eu mesmo fui furtado lá, mas consegui recuperar porque corri atrás do cara, sendo que eu nunca tinha sido furtado aqui no Rio. Lá eles são muito seguros em questão de segurança e isso é um ponto bom. Eu andava as 4 horas da manhã na rua com as minhas amigas super de boas. Assalto mesmo eu nunca vi e nem ouvi falar de nenhum, mas os furtos são bastante frequentes. Por isso, coloca tudo na mochila e deixa ela sempre na sua frente, e evitar colocar objetos nos bolsos.”

“Então, um conselho que eu já dou é pra você já ir preparado para a burocracia francesa e aguentar o cheiro forte de cigarro o tempo todo na sua cara. O cheiro forte de cecê, ainda mais no verão, também é muito forte. As pessoas fedem real.”

Mais detalhes…

O transporte público é incrível. Todos os pontos de ônibus/trem/metrô, tem, como se fosse um relógio, sinalizando o horário que o transporte vai passar. Desse jeito, você sabe se aquela linha de ônibus tá passando ou não, quanto tempo falta para passar, e o melhor é que você não precisa ficar esperando por mais de 10 minutos. É realmente incrível! Você chega em qualquer lugar muito fácil.”

“Como tinha passagens muito baratas para ir para qualquer lugar da Europa, eu viajei para 21 países durante esse período de 6 meses que fiquei na França. Todas essas viagens eu fiz de ônibus, só uma que eu peguei um avião, que inclusive também é muito barato. Eu fui de Bordeús, norte da França, até Viena, na Áustria, pagando apenas 9,90 euros. É realmente muito barato!”

“Os franceses não tem ar condicionado em nenhum lugar, apenas aquecedor por conta do inverno, então é horrível. No verão é muito quente (cerca de uns 35°) e é horrível sem ar condicionado.”

“Uma dica que eu dou é sempre dormi no ônibus. Quando você for fazer uma viagem muito longa, opte por dormi no ônibus, porque assim você economiza com hotel. Por exemplo, quando eu fui de Lyon até Bruxelas, que é uma viagem longa, eu peguei uma passagem noturna e fui dormindo. Tem que saber economizar bem”

Se você gostou do depoimento do João Vitor, confira também uma outra entrevista no nosso site sobre a França, basta acessar: Viki vivendo na França. Até a próxima pauta pessoal!

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