Série Inglaterra: Intercâmbio em Londres

Você já teve vontade de fazer intercâmbio em Londres? Nós do Meu Intercâmbio já! Em nosso terceiro post da Série Inglaterra, vamos contar tudo sobre como é estudar nessa cidade incrível.

A entrevistada da vez foi a Marianna Fundão, uma engenheira elétrica, de 26 anos, que passou quase um ano em Londres.

Ciências sem fronteiras

Marianna participou de um extinto programa do governo chamado Ciências sem Fronteiras. O sonho dela sempre foi estudar no Reino Unido. Então, assim que soube desse programa de intercâmbio, fez logo sua inscrição.

A engenheira nos contou que primeiro ela precisou cumprir uns requisitos impostos pela faculdade, como por exemplo, número de reprovações e os períodos cursados pelo aluno.

Depois, a seleção era feita pelo Ciências sem Fronteira. A classificação era baseada na nota que o candidato havia tirado no ENEM.

Após a aprovação no programa, o estudante escolhia três faculdades no país desejado. Então, as faculdades avaliavam o currículo, o histórico acadêmico, a carta de apresentação e o teste de inglês do aluno. Por fim, depois de um tempo, o candidato recebia a resposta de aprovação ou reprovação.

“Fiquei super ansiosa depois da inscrição. Eu não lembro direito quanto tempo demorou, mas lembro que eu fiz o teste de inglês necessário para a inscrição em setembro de 2014 e o resultado do processo saiu em março de 2015. Então não demorou muito.”

Mari nos contou que quando foi estudar na Inglaterra estava no oitavo período, de um total de 10. Ao ser perguntada se o conteúdo estudado durante o intercâmbio contou como matérias para faculdade brasileira, ela nos disse que não muito:

“Quando fui, eu já tinha feito a maioria das minhas matérias obrigatórias na faculdade daqui do Brasil, então não consegui avançar nenhum período. Das 8 matérias que eu cursei no intercâmbio, só 2 eu consegui aproveitar na UFRJ. Então basicamente tive que continuar de onde parei.”

O Intercâmbio

Arquivo pessoal: Mariana Fundão

Marianna estudou Engenharia Elétrica e Eletrônica na faculdade particular Queen Mary University of London, na zona leste da cidade.

O programa de estudo durou quase um ano. A brasileira foi para lá em setembro de 2015 e retornou em agosto de 2016.

Mari fez quatro matérias a cada período no intercâmbio. As aulas eram lecionadas de manhã e a tarde. No tempo livre, Mariana ia à academia, que havia no campus da faculdade, e também se reunia com os amigos em seus apartamentos ou em pubs próximos a faculdade.

A bolsa de estudo contemplava as passagens aéreas, auxílio moradia, um valor para a compra de um computador e seguro de vida.

Ao ser questionada se havia necessidade de complementar o valor concedido pelo Ciências Sem Fronteira, a brasileira afirmou que o valor da bolsa era suficiente para se manter na cidade:

“Como eu morava em Londres, que é uma cidade de custo alto, a minha bolsa ainda tinha um acréscimo para ajudar nos gastos. Eu conseguia me manter muito bem e ainda sobrava dinheiro. Não precisei usar minha renda própria em nenhum momento. Não podíamos trabalhar.”

Durante o intercâmbio, Marianna ficou hospedada no alojamento da universidade. Era um apartamento composto por seis quartos individuais, dois banheiros e uma cozinha compartilhada.

Apesar de dividir apartamento com pessoas de diferentes culturas, a engenheira não encontrou dificuldade de adaptação:

“Morei com pessoas dos Estados Unidos, da China, da Tailândia e do Reino Unido. Não tive problemas com a convivência. Como tínhamos nosso próprio quarto, era bem tranquilo. Tinham muitos brasileiros no prédio, então a gente se uniu muito.”

Inglês

Arquivo pessoal: Mariana Fundão

Um dos pré-requisitos para conseguir a bolsa de estudo era o domínio da língua inglesa. O teste de proficiência exigido pelo programa era o IELTS.

Desde pequena Marinna sempre teve o sonho de viver em Londres, por isso sempre se dedicou ao inglês, como consequência, tirou média oito no teste, o qual a nota máxima era nove.

Ao ser perguntada como conseguiu esse resultado incrível, a brasileira nos contou que é necessário praticar bastante:

“O teste é dividido em 4 categorias: Listening (ouvir), Reading (ler), Writing (escrever) e Speaking (falar). Eu lembro que gostava muito de estudar a parte de Listening e Reading, então praticava bastante e foram as minhas melhores notas. A minha pior foi no Writing. Eu não gostava muito de escrever, então foi o que eu menos pratiquei. No dia do teste do Speaking, que era uma conversa com o examinador toda em inglês, eu estava super nervosa. O que eu fiz foi conversar em inglês com meus amigos o caminho inteiro para o teste, então cheguei lá e foi muito natural continuar falando em inglês.”

Após passar a fase do teste e já fazendo o intercâmbio, Mari nos disse que teve dificuldade com o sotaque britânico, segundo ela é muito difícil.

“Eu conseguia me comunicar, mas era bem complicado entender o que eles estavam falando. Até um ano depois, quando fui embora, eu ainda não conseguia entender algumas coisas. Mas a gente sempre consegue dar um jeito de se comunicar!”

Londres

Marianna nos contou que o sonho da vida dela sempre foi morar em Londres:

“Sempre fui apaixonada pela cidade e sempre tive na minha cabeça que um dia ia morar lá. Eu queria muito ter feito um intercâmbio para lá quando estava no ensino médio, mas meus pais não tinham condição. Então, quando tive a oportunidade de participar do Ciências Sem Fronteiras, não pensei duas vezes.”

A engenheira já havia ido a Londres quando tinha 15 anos, mas passou apenas duas semanas na capital britânica.

“Quando fui, 8 anos depois, para o intercâmbio, parecia que eu estava indo pela primeira vez, mas ao mesmo tempo tinha um gostinho de familiaridade. Eu lembrava até dos cheiros da cidade. Foi muito bom.”

Ao pedirmos para nos falar o que mais havia gostado em Londres, Mari não soube apontar, pois segundo ela, a cidade funcionava muito bem e tinha várias coisas para fazer.

“Poderia escrever um livro aqui só falando as coisas que eu gosto. Mas a melhor coisa eu acredito que é a sensação de que eu poderia ir em qualquer lugar, sozinha, a qualquer hora, comprar ou fazer o que eu quisesse. Aqui no Brasil tenho a sensação de que estou presa em casa, às vezes. Pela violência, pela dificuldade dos meios de transporte, pelo valor muito alto das coisas. Lá eu me sentia livre, independente e segura.”

Sobre que menos gostou, disse que, só no início, foi a comida, mas logo se adaptou a culinária local e descobriu os restaurantes brasileiros.

A respeito das atrações turísticas, Marianna disse que conheceu diversos museus, e que, quase todos, são gratuitos. E também, visitou os lugares que apareceram nos filmes do Harry Potter, por ser fã da saga.

A região que mais gostava de frequentar era a Tower Hill, onde fica localizada a Tower Bridge:

“Lá perto tem um prédio maravilhoso chamado Sky Garden. Ele tem um jardim na cobertura que você pode ir de graça e tem uma vista sensacional para cidade! Eu super recomendo para todo mundo! Na Tower Bridge você também pode entrar (tem que pagar, mas é baratinho, acho que umas 9 libras) e você pode andar na parte de cima da ponte, em um chão de vidro. Dá para ver os carros passando na ponte embaixo. É muito legal!”

Arquivo pessoal: Mariana Fundão

Sobre o frio Londrino, a engenheira disse que não é tão intenso como pensamos:

“É questão de costume. Em Londres não é tão frio assim. No ano em que eu fui, nem nevou. Acho que o mínimo que eu peguei foi 0º.”

O que causava mais estranheza era ter que colocar vários casacos, sapato fechado, luvas e toca para ir ao mercado na esquina da rua.

A duração dos dias durante o inverno também foi algo que a brasileira teve que se acostumar:

“O estranho também é que no inverno, os dias são muito curtos. Amanhece lá pelas 9, 10 da manhã e anoitece 3, 4 da tarde. Mas o bom é que no verão só anoitece lá pelas 10 da noite!”

Cultura

Marinna relatou que ingleses não estão preocupados como os outros se vestem, cada um se arruma como se sente melhor:

“Ninguém fica julgando as pessoas pelas roupas, pela orientação sexual, pela religião. Então, era uma mistura muito bacana!”

Além disso, as pessoas gostam muito de elogiar:

“Se alguém te olha e gosta da sua blusa, mesmo sem te conhecer, eles vão falar com você falando que amaram.”

Um hábito diferente dos brasileiros é o consumo de bebidas. Os britânicos não fazem questão de consumir bebidas geladas, não importa o tipo, refrigerante, cerveja, água.

E a última diferença notada pela brasileira a pressa dos londrinos, as pessoas estão sempre andado muito rápido.

Marianna afirmou que os ingleses não são frios como dizem, só são diferentes. Eles são menos calorosos que os brasileiros, mas são bem educados e simpáticos.

Viagens e Dicas

Arquivo pessoal: Mariana Fundão

A brasileira aproveitou que estava em Londres e conheceu 20 países. Nos contou que lá as passagens eram muito baratas.

“Lá na Europa é muito fácil e muito barato e se viajar. Teve uma passagem de avião uma vez que comprei por 5 dólares!”

Disse que os lugares que mais gostou de conhecer foram o Marrocos, a Islândia e a Grécia.

Mari diz que não tem arrependimentos algum em relação a vigem, apenas de não ter aproveitado mais.

Durante o tempo que passou em Londres, a engenheira só sentiu saudade do Brasil no início, mas logo se adaptou a esse sentimento:

“Nos primeiros três meses eu fiquei chateada e com muita saudade. Mais da minha família, dos amigos e do meu namorado mesmo. Mas depois de um tempo, eu me acostumei e nem queria mais voltar! Ainda tinha saudade das pessoas, mas era mais fácil de lidar.”

Marianna aconselha a quem vai fazer intercâmbio em Londres aproveitar ao máximo a cidade e tudo o que ela oferece. Observar as diferenças culturais e aprender com elas.

*No próximo post da Série Inglaterra, iremos contar como é fazer um intercâmbio em família em Londres! Clicando aqui, você descobre tudo sobre como é morar em uma cidade do interior da Inglaterra.

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